A Mão Invisível
O termo "mão invisível" foi cunhado para descrever como o interesse próprio individual, a agir através dos mercados, produz resultados coletivos que nenhum ator individual planeou. As plataformas de redes sociais têm a sua própria mão invisível: um algoritmo, a operar abaixo do limiar da tua consciência, a decidir o que vês, o que não vês e por que ordem — a otimizar para a sua função-objetivo, não para a tua.
O perigoso desta mão não é o facto de existir. É o facto de ser invisível. Não consegues ver os critérios de seleção. Não consegues auditar as prioridades. Vives o resultado como se fosse a realidade.
A curadoria não é neutra
Cada decisão sobre o que mostrar é também uma decisão sobre o que não mostrar. Quando uma plataforma te mostra dez publicações e esconde dez mil, essa filtragem é um ato editorial — feito por uma máquina treinada em sinais de envolvimento, não por um editor humano com responsabilização ou padrões profissionais. As publicações que nunca vês podem ser as mais relevantes para os teus interesses, as mais precisas, as mais importantes. Não tens forma de saber.
Isto é agravado pela personalização. O teu feed não é uma praça pública partilhada — é um teatro privado construído especificamente para ti, diferente do teatro construído para a pessoa ao teu lado. Duas pessoas podem seguir as mesmas contas, viver na mesma cidade, ter opiniões semelhantes e ver imagens do mundo completamente diferentes. Não há linha de base partilhada. Há apenas a fatia algoritmicamente personalizada de cada pessoa.
A amplificação como poder
Numa plataforma grande e centralizada, as decisões de amplificação do algoritmo têm mais consequências do que as escolhas de qualquer utilizador individual. Uma publicação que o algoritmo decida promover pode chegar a milhões. Uma publicação que o algoritmo suprima chega apenas a quem a procura explicitamente. Isto dá à plataforma um poder enorme e não responsável sobre o discurso público — um poder exercido continuamente, invisivelmente, e sem direito a recurso.
As plataformas usaram este poder de forma inconsistente, respondendo a pressões políticas, interesses comerciais e normas culturais internas, de maneiras opacas para o mundo exterior. As decisões são tomadas por um algoritmo, mas os valores incorporados nesse algoritmo são escolhas humanas — escolhas feitas por um pequeno grupo de pessoas numa empresa privada, aplicadas a nível global.
O Hashiverse não tem algoritmo de recomendação
No Hashiverse, não há nenhum algoritmo a decidir o que deves ver. As publicações são organizadas cronologicamente dentro das cronologias que subscreves explicitamente — utilizadores que segues, hashtags que acompanhas. O que vês é o que foi publicado pelas pessoas que escolheste seguir, pela ordem em que foram publicadas.
Esta é uma restrição deliberada. Significa que a rede não otimiza para o envolvimento. Significa que não há um mecanismo de amplificação viral que um mau ator possa explorar. Significa que o teu feed reflete as tuas escolhas em vez dos objetivos da plataforma. A contrapartida é que assumes mais responsabilidade pela curadoria — o Hashiverse não vai trazer à superfície coisas que possas ter perdido. É uma contrapartida que vale a pena fazer.
O mais próximo que o Hashiverse chega da amplificação é o rehash — uma escolha deliberada de um utilizador de republicar o conteúdo de outra pessoa para os seus próprios seguidores. Este é um ato editorial humano, não algorítmico. E exige uma pequena proof-of-work, tornando a amplificação massiva por spam computacionalmente cara.