Porquê o Hashiverse?
A internet nasceu descentralizada. O e-mail não tem dono. A web não tem senhorio. Nos primeiros anos das redes sociais, parecia que esse espírito ia continuar — milhões de pessoas ligadas, a falar livremente numa rede que pertencia a todos.
Não foi isso que aconteceu.
Em vez disso, um punhado de empresas consolidou a web social em jardins murados e, ao fazê-lo, adquiriu algo sem precedentes: a capacidade de moldar o discurso público à escala civilizacional, sem responsabilização, sem transparência, e com um modelo de negócio que é estruturalmente contrário aos nossos interesses.
O que correu mal
Os problemas não são acidentais. São o produto de um conjunto específico de escolhas — financiar a rede através de publicidade, ser dono dos dados, centralizar a infraestrutura — e essas escolhas combinam-se em algo corrosivo:
- As tuas publicações podem ser apagadas. A tua conta pode ser suspensa. Não tens recurso.
- O que vês não é o que foi publicado — é o que um algoritmo decidiu que devias ver, otimizado não para o teu benefício mas para o teu envolvimento.
- Os teus dados não são teus. São um produto, vendido a anunciantes, integrado em perfis, usado para manipular o teu comportamento.
- A plataforma pode ser vendida, adquirida ou simplesmente alterada de um dia para o outro. A comunidade que construíste nela não tem voz.
Não são bugs. São o resultado lógico da arquitetura.
Uma arquitetura diferente
O Hashiverse parte de premissas diferentes. É um protocolo, não um produto. Tal como o e-mail ou a própria web, ninguém o pode possuir, vender ou desligar. Os servidores que o alimentam são geridos por qualquer pessoa que o queira fazer — em hardware comum, por alguns dólares por mês. Os clientes são open-source. A criptografia é pública.
A tua identidade no Hashiverse é um par de chaves criptográficas — tuas, geradas no teu dispositivo, nunca detidas por mais ninguém. As tuas publicações são assinadas com essa chave. Propagam-se por uma rede distribuída. Nenhuma empresa te pode banir, nenhuma aquisição pode apagar o teu histórico, nenhum algoritmo pode decidir que não vales a pena ser mostrado.
Explora as secções deste capítulo para compreenderes cada dimensão daquilo que o Hashiverse está a tentar ser e porque é que cada decisão de design foi tomada da forma como foi.
Mas porquê "Hashiverse"?
Primeiro, o óbvio: hashtags. Tornaram-se a sintaxe nativa das redes sociais — uma forma de encontrar a tua malta, perseguir um momento ou começar acidentalmente uma guerra cultural. No Hashiverse, os hashtags são a forma como descobres publicações na rede sem nenhum algoritmo misterioso a fazê-lo por ti.
Segundo, o humano: hash something out, em inglês — discutir, argumentar a tua posição, trabalhar até chegar ao entendimento. É isso que o discurso social é suposto ser, antes de ter sido otimizado para gerar cliques de raiva.
Terceiro, o nerd: hashes criptográficos. Cada pedido feito à rede carrega proof-of-work — milhões de hashes calculados antes de uma única publicação ser aceite. É isto que impede spammers, bots e maus atores de inundarem a rede. No Hashiverse, não pagas com os teus dados. Pagas com um bocadinho de matemática.
Três significados, um nome, zero consultores de marketing (e provavelmente nota-se).